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Hiperatividade é genética

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Estudo descobre evidência de que hiperatividade é genética

Pesquisadores britânicos compararam os genomas de 366 crianças brancas britânicas de 5 a 17 anos com TDAH aos de mais de 1.000 crianças sem o transtorno.

Um novo estudo publicado no site do jornal médico "The Lancet" na quarta-feira (29) descobriu uma evidência de que o distúrbio conhecido como TDAH (deficit de atenção e hiperatividade) pode ser genético. As crianças com o problema têm duas vezes mais chance de ter cromossomos ausentes ou excedentes do que as normais.

Pesquisadores britânicos compararam os genomas de 366 crianças brancas britânicas de 5 a 17 anos com TDAH aos de mais de 1.000 crianças sem o transtorno. Os cientistas focalizaram uma sequência de genes ligados ao desenvolvimento do cérebro, previamente associados a condições como autismo e esquizofrenia.

Cerca de 7% das crianças sem TDAH tinham excluído ou dobrado os cromossomos na sequência do gene analisado. Mas entre as crianças com a desordem, os pesquisadores levantaram que cerca de 14% tinham alterações genéticas.

"Esta é a primeira vez que descobrimos que as crianças com TDAH têm uma parte do DNA duplicado ou faltando", disse Anita Thapar, professora do Centro de Neuropsiquiatria Genética e Genômica da Universidade de Cardiff, que liderou o estudo.

Ela disse que os resultados ainda não afetam o diagnóstico ou o tratamento e são aplicáveis apenas aos caucasianos, pois os estudos não foram feitos com outras etnias.

Estima-se que o distúrbio afeta milhões de crianças ao redor do mundo e os cientistas sempre pensaram que a doença tivesse um componente genético.

Especialistas dos EUA acreditam que o TDAH atinge entre 3% e 5% das crianças em idade escolar no país. Não há números para as nações em desenvolvimento.

O estudo foi pago pela Action Research, Thomas Baily Charitable Trust, Wellcome Trust, Britain's Medical Research Council e pela União Europeia.

Peter Burbach, professor de neurociência molecular na Universidade e Centrol Médico Utrecht, na Holanda, foi surpreendido por alguns dos defeitos genéticos encontrados para o TDAH, idênticos aos do autismo e esquizofrenia. Ele não participou da pesquisa do "Lancet".

"Há uma grande chance de o meio ambiente modificar esses genes", disse Burbach, acrescentando que os genes podem levar a diversos transtornos cerebrais, dependendo da educação da criança ou de outros fatores genéticos.

Ele também acredita que os cientistas estão perto de reverter o distúrbio.

"Esta não é uma anormalidade estrutural do cérebro, é apenas a última fase do desenvolvimento que não deu certo", disse ele. "Poderia ser que o cérebro só precisa ser afinado."

Philip Asherson, professor de psiquiatria molecular no Instituto de Psiquiatria do King's College London, disse que o estudo apenas tratou um subgrupo de pessoas com TDAH e que o ambiente ainda deve ser considerado uma causa. No caso de alguns órfãos romenos, Asherson disse que não havia prova de que a privação severa em uma idade precoce pode levar ao TDAH ou a outros problemas neurológicos.

Asherson disse que o mundo médico ainda está a anos de distância de corrigir o distúrbio.

"O estudo não nos diz muito sobre o que está acontecendo no cérebro das pessoas com TDAH", disse ele. "Se pudermos descobrir mais sobre esses genes e como eles afetam o desenvolvimento do cérebro, vamos progredir, mas é difícil dizer quando isso vai acontecer."

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